sexta-feira, 20 de abril de 2018

A Prévia De Uma Visão Já Edificada









 
O corpo dói
A carne estremece e chora
A tristeza que antecede a injúria
É a previa de uma visão já edificada

O céu mostra nossa desgraça
E em meu quintal vejo meu corpo flutuante
Como poderia o vento me levar
Se ainda tenho peso e as gramas ainda não se foram

Desperto dentre as noites solitárias-
Cheias de silêncios vibrantes
E nesse negro silencio minha mente ferve
Existe alguém dentro de mim que grita

A besta fala em outro idioma, a compreendo
Ela diz que o céu caíra e eu não mais sentirei dor
Quando encher os pulmões não sentirei dor
E ao esvazia-los sentirei a inercia que busco

M.Rosseau

sábado, 3 de março de 2018

O Renascimento




Monalisa-Da Vinci


Apareces-te de uma mesma forma a qual sumistes
De um espanto visível meu coração
Encheu-se de esperança
Aquela à qual tanto declarava-se perdida

Avinhes-te para pôr em tua lança
Uma ponta cega, pois depois –
De lançada a dor seria pior do que
Se houvera atravessado meu peito

Depois de saborear-se de uma carne já conhecida
A lança trincou-se em uma realidade estupenda
Cravou-se em meu peito e não mais saiu
Agora a dor liberta se fazia crua

Liberto-me de ti
Pois, a lança ainda está aqui
E recorda-me das dores causadas por quem a lançara
E o objeto quebrado, agora junta os cacos

sábado, 27 de janeiro de 2018

O Triunfo





Alfred_Guillou_-



Não há dor que seja eterna
Nem eterna tua ausência
Já te disse- te quero com insistência
Porém, igualmente me torno ausente

Te quero ao meu modo, aqui entre fios
Superei-me ao assumir minha fraqueza
Apesar de todos os males que o romance me dera
O mais sensato é manter-me fora de teu alcance

Não quero renovar-me a memoria
Quero eu que ela permaneça retroativa
Assim durante meus delírios
Te terei por miragens

Blindo-me de uma indiferença estupenda
Mas, meus olhos ficam cegos diante –
De alguma possibilidade de ver-te
Meu coração se torna um cachorro medroso

M.Rosseau


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Dedicado Alcorão do Romance




Bouguereau



Dedicado alcorão do romance
Quero que em ti meu amor predomine
Predomine em mim a instância de um eflúvio atordoado
Travando em mim tuas profecias que perfuram meu ventre

Pequenas agulhas voadoras doem mais que uma flecha lançada
Pequenas gotas de amor doem mais que um mar de ódio
Tua rejeição de longe era uma profecia
Teu amor de perto, bem pertinho era um mito

Dedicado alcorão do romance
Quero que de mim este amor se retire
Saia, antes que a vida me abandone e reste apenas o nada
Destrave tuas queixas e mentiras distorcidas

Amor que de nada serve além do nome
Gotas de veneno, eis de me curar com tempo
Rejeição esta que me disponho a apartar
Amor este que em Roma fora um enigma

M.Rosseau



A falha tentativa é clara, esperança mentirosa...






afrodite-bouguereau



Minha abstinência é firme
Me quer com insistência
Declara o quanto sou frágil
O quão débil eu sou

Recordo-me de um passado presente
Onde meu desejo por evita-lo –
Era negro e persistente
A falha tentativa é clara, esperança mentirosa

Árdua é a beleza de um todo sentido
A fantasia que tenho de ti
Instigue toda uma possibilidade
Pois, bem sei que a realidade não finge

Já não escrevo como antes
Minhas palavras já parecem conformadas
Ainda não desistentes, porém
Ainda dou-me uma pausa para o recomeço

M.Rosseau


domingo, 26 de novembro de 2017

XXVII / VI



autor não encontrado


Dediquei-me a ti como num impressionismo-
Banhado de toda uma carga de óleo
Pensei- Ele fora feito para mim
Como numa escultura encomendada

Como numa literatura traçada de rubores
Aquela em que o amor-
É assassinado numa pagina já conhecida
Grande nicho revertemos

E num grande final foi percebido
Que apenas meu amor era vivido
Existia aquela esperança sorrateira
Aquela que deixa uma alumbre nos olhos

Forjei minha força ambígua
Na tentativa de desintegrar o feito
Tão doce, nobre homem
Você ainda me deve um adeus

Como dois irmãos gêmeos
Que se desconhecem frente a frente
O verso de teus lábios não li
Porém, a tua ausência me fora de grande utilidade


M.Rosseau

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

XXVII / V


Nedtrum

Meu amor, estar só agora é tão péssimo-
Quanto estar só com você
Estavas aqui e agora não mais
Eu chorei aqui e agora muito mais

Chorei por que não escolhemos quem amar, certo?
Equívoco de amantes, pois eu elegi você
Escolhi a tua melhor parte
A parte que me tocava, adiante

Mais além do que podia ver, tocar
Vi incluso você chorar, fora um espasmo
Numa tentativa má ilusa de te acalmar
Você regrediu, rejeitou o teu amor!

Quem eras tu afinal?
Era uma fortaleza impenetrável,
Sensível demasiado, aliás
Meu incomodo fora expressivo e chocante

Fui do desconhecido ao extremo desconhecido
Não vi nem uma lasquinha de quem fora tu
Mas, vi desde aqui que eras para mim
E hoje dentro dessa prisão vejo a ti como minha cela


M. Rosseau


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

XXVII/IV






Courbet_Landscape

Desci de minha estima
Como uma folha cai de seu galho levemente,
Deixando-se levar por uma dança atemporal
Que afeta minha solidão aguda

Quem deveras saber de minha dor
Não sabe a quem o diabo ousou visitar
Pus todas minhas rosas sobre ti
E esse perfume de longe vi retroceder

Te quis com temor, ao fim
Toda a razão que pusera em mim
Ousou ressaltar a verdade
E a verdade nunca mentirá

E tu nunca mais me procurou
Houve o medo e repúdio
Até onde vai nosso labor, onde

Quem espera no fim por um bálsamo

M.Rosseau

terça-feira, 26 de setembro de 2017

XXVII / III





Desconhecido


Ele veio a mim como uma cobra já satisfeita vem a sua presa
A estima era enorme, senti que tudo acabara ali
De uma mesma forma a qual o abraço se rompe
Deitei sozinha, mergulhei em mim mesmo

Minha tristeza havia dito
Como amas alguém satisfeito com tua ausência?
Como amas uma águia que com a melhor visão
Nunca vê a ti em pranto

Lhe respondi que com minha ira
A dor se vai com um impacto
Onde marcam meus punhos
A vergonha e o arrependimento de querê-lo de pronto   

M. Rosseau

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

XXVII / II




Dinno Valls



Sinto tua ausência estupenda em mim
Pois, sei que de ti já não receberei nada mais
Além do mundo iluso que me deixas-te
Deste amor ambíguo e imaginário

Queria ver se teu peito late
Se teu estômago dói
Se teu corpo alguma vez clamou pelo meu
Assim como todas as noites retrocedo em mim mesmo

Digo-te que passo noites em claro
Declarando minha abstinência como crime
Me enveneno com tragos e tragos
Na esperança de em algum delírio te ver novamente

Em meu ar hilário, distinto
Acorrento-me diante de tamanha estupidez
Penso comigo, no auge de meu ser
Como fui em um delírio querer a ti

Chega a doer a incerteza de não mais te ver
Devias vir, ver como uma jovem encarna a tragédia
Da forma como os loucos tratam suas loucuras
Como o poeta que tudo compara e de tudo duvida

M.Rosseau