domingo, 28 de setembro de 2014

A forca da salvação





A agulha e a flecha-M.Rosseau 40x70
 
Se o céu partido
Longe do inimigo
Abusar aflito
De tal lembrança ambígua

Farão como nobre amigo
Cheios de intenções cumpridas
Largas em direito
Misteriosos por anseios

Uma busca ingênua
A forca da salvação
Libertação que deveras sente
Longe de pai e longe de mãe

A mão sustentará o teu peso
Sejamos cadentes em nossa honrosa
Pomposo no que faz
Dolente amor juvenil

M.Rosseau








terça-feira, 16 de setembro de 2014

O nó que nunca enxerga




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Algo para te ferir, somente uma lança
Aquela que invade o ventre
A que acerta e erra no ser majestoso
Sem cortes, que dor sente?

Seria o mesmo aperto peito adentro
O nó que nunca enxerga
O mesmo nó que cega
O suor no tato já ardente no olfato

Anfitrião dos toques leves
Dos dedos agulha
Que envolvente na gastura
Que faz do escravo serpente

O amor feito borbulhas
Gruda como muco nas paredes inimigas
E acima da cintura de tua amiga
Arderemos nela a mais pura brasa

M.Rosseau





quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Dancei diante das regras de Deus...



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Foram-se os dias nebulosos
Cheios de impaciência e insatisfação
Se antes não sabia onde estava
Agora em vil desdém

Menos sei

Provei de minhas próprias mentiras
Desfrutei de meus enganos gloriosos
Dancei diante das regras de Deus
E por fim caí na fuga

Fuga dos esquecidos

O mesmo que o
silêncio
O senhor dono de tudo
Até da vida injúria adotiva
Não sendo mãe nem pai

Não sendo o que se pode

Pois, o querer permanente
Reflete no teu sexo sem amor
No modismo fixo ao lado
No ajoelhar e rezar

Rubor...

M.Rosseau

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A legítima forca do éden

   
Sir-John-Everett-Millais-Speak-Speak-also-known-as-Apparition-   



Já não saberia se viver ou se morrer
Se tu não fostes nem de longe o que fui por tu
Seja egoísta e orgulhoso de minha parte
Mas, eu quero em troca tudo o que fiz por merecer

Não mereço isso
Tampouco um pouco do infinito
Nasci para escrever e amar
Pintar já é um sexo casual

E meu nojo ao lembrar suas meretrizes
Fizeram-me por tantas vezes naufragar em mim
Em minha própria íra
Sinta o que penso pelos meus papéis
Debruçados em tintas

Tintas cor de merda
Tintas cor de mel
Paredes decepadas como se a culpa fosse delas
A legítima forca do éden

M. Rosseau